Cadê minha melanina?

Esta semana recebi um email que inspirou o tema deste blog. Era de um homem procurando minha opinião e novas alternativas para o tratamento do VITILIGO que acomete sua namorada. Contou-me que já procuraram diversos médicos, os tratamentos propostos apresentaram melhora parcial, mas a doença ainda está ativa, com novas manchas surgindo.

Este caso retrata perfeitamente a doença VITILIGO, e mais ainda, a angústia de quem a sofre e de seus entes queridos.

O vitiligo é uma doença não-contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação natural da pele – a melanina. A doença pode surgir em qualquer idade. Não existe uma causa conhecida para o VITILIGO, mas existem várias hipóteses que tentam explicá-lo. A mais aceita é de que seja uma doença auto-imune, em que as células da nossa imunidade, que nos protegem contra infeções, passam a atacar o melanócito, que produz a melanina. Alguns pacientes apresentam uma nítida relação da doença com estresse físico, emocional, e ansiedade, mas não todos.

As manchas brancas podem ocorrer em qualquer região da pele, inclusive nos olhos, mas os locais mais comuns são face, mãos e genitais. Os pelos da área com vitiligo também ficam brancos. O local atingido fica bastante sensível ao sol, por isso deve ser sempre muito protegido com protetores solares para evitar queimaduras.

O vitiligo é uma doença com evolução muito variável, isto é, muito diferente para cada paciente. Dependendo do tipo de vitiligo, da idade de aparecimento, e da localização das lesões pode-se ter uma idéia se a evolução da doença vai ser mais grave ou não.

Mas é importante saber que o vitiligo é um distúrbio crônico. Pode até haver regressão espontânea, mas não é prudente chamar de cura. É uma doença que pode ir e voltar.

Existem vários tratamentos para o vitiligo, e a resposta pode variar muito de pessoa a pessoa. E um mesmo tratamento pode funcionar uma vez, e não funcionar em outra ocasião.

O vitiligo não afeta a saúde em geral, apenas a cor da pele. Mas esta alteração estética pode afetar (e muito!) a vida de quem convive com esta doença. É comum encontrar pessoas que fazem uma verdadeira “via-sacra” à procura de médicos e novos tratamentos, muitas vezes caindo nas mãos de pessoas não-éticas e aproveitadoras. Não existe cura milagrosa. Nem aqui, nem em Cuba, nem em nenhum lugar. Com a internet e o acesso difuso às publicações científicas mundiais, não existe mais tratamento que seja segredo. Um dermatologista com título de especialista pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) é o profissional mais capacitado para tratar o vitiligo.

Por isso, meu conselho para o casal que citei no início do texto é que estejam sempre abertos a novas opiniões e tratamentos, mas que conheçam as limitações desta doença, sabendo que muitas vezes ela pode piorar mesmo fazendo o tratamento certo.

Além disso, hoje em dia existem maquiagens corretivas muito boas, associadas a um pó fixador, que podem ser usadas diariamente e duram até 12h. É uma ótima opção.

Textos como estes, que divulgam que a doença não é contagiosa, e mostram um pouco da angústia de quem a sofre ajudam muito a diminuir outro aspecto: o preconceito. Por isso vou pedir para você que chegou até aqui compartilhar este texto (ou outros que ampliem o conhecimento da população sobre o vitiligo), pois só assim o portador de vitiligo vai se sentir mais amparado e aceito pela sociedade.

Até logo!